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Aposentado se muda para o Ceará com a família em busca de transplante de coração

Vítima das complicações da doença de Chagas, Francisco Edson aguarda procedimento desde dezembro do ano passado, vivendo com ajuda financeira do estado.

Por G1 CE

09/07/2019 às 10h28

Vítima das complicações da doença de Chagas, Francisco Edson aguarda procedimento desde dezembro do ano passado, vivendo com ajuda financeira do estado.

A cada cinco metros, uma parada. Respira – ou tenta respirar – fundo, escorado em um caminhão, para depois seguir. Se a distância de casa até o Hospital do Coração de Messejana, em Fortaleza, é de dois quarteirões, Francisco Edson Xavier, 55, precisa descansar pelo menos 58 vezes até percorrer os 290 metros em busca do tratamento para insuficiência cardíaca.

Desde dezembro do ano passado, o aposentado se mudou de Mossoró, no Rio Grande do Norte, para a capital cearense, onde aguarda na fila por um transplante de coração. “Pra ir fazer os exames, eu paro direto, ando uns quatro ou cinco metros e canso. Tô muito aflito. Quero conseguir logo esse coração novo e voltar a respirar”, angustia-se o potiguar.

Ao sair de casa para a cidade nova à procura de renascer, Edson encontrou amparo na Associação dos Transplantados Cardíacos do Ceará (ATCC), onde pelo menos mais 20 pacientes estão à espera de um novo órgão. Hoje, o aposentado vive com a filha e a esposa em uma casa alugada no mesmo bairro do hospital onde se trata, paga com o auxílio do programa de Tratamento Fora de Domicílio (TFD), fornecido pelo Governo do Estado.

“Eu tenho cardiomiopatia da doença de Chagas, coloquei um marca-passo em 2012, lá em Mossoró, e não deu certo, não tinha mais jeito. Fui a São Paulo e consegui outro tipo – que não resolve, mas fica mais ou menos pra eu ir vivendo. Meu coração cresceu tanto que o marca-passo não dá mais resultado”, lamenta.

Insuficiência cardíaca
A doença de Chagas que castiga Francisco Edson é só uma entre as várias causas da insuficiência cardíaca, que mata uma média de 86 pessoas por mês no Ceará, se considerados os óbitos entre 2009 e 2018 no estado, informados pela Secretaria Estadual da Saúde (Sesa). De acordo com o coordenador da Unidade de Transplante e Insuficiência Cardíaca do Hospital do Coração de Messejana (HM), João David de Sousa Neto, a doença geralmente está associada a outras “comorbidades”.

“As causas mais comuns são hipertensão arterial, diabetes, doença coronariana, infarto, processos inflamatórios no coração, doença reumática e doença de Chagas. Mas existem muitas outras. Uma que hoje é muito prevalente é o endurecimento do coração. A população idosa tem mais tendência a ter essa síndrome, em que o coração é normal no tamanho, mas não na função”, aponta o cardiologista.

Em dez anos, entre 2009 e o ano passado, a doença matou 10.367 pessoas no Ceará – 5.552 delas (53,5% do total) na faixa etária acima de 80 anos. Já de janeiro a maio de 2019, foram registradas 400 mortes pela doença no Ceará – do total, 192 vitimaram idosos acima de 80 anos (48%). No mesmo período, 153 cearenses de 60 a 79 anos morreram pela síndrome cardíaca, seguidos pela faixa etária de 20 a 59 anos, que totalizou 55 óbitos.

Diariamente, de acordo com o coordenador da unidade, cerca de 50 pacientes graves são atendidos no laboratório e mais de 3 mil pacientes com a doença no Estado estão registrados no banco de dados do Hospital de Messejana. “O número de atendimentos pode aparentar pequeno, mas os pacientes vêm com frequência e têm consulta demorada, porque muitos têm várias comorbidades”, explica.

O problema afeta igualmente homens e as mulheres, mas ainda são eles os que mais morrem: do total de mortes no Ceará, 51% foram do gênero masculino e 49% do feminino. O cardiologista João David afirma que “os homens têm mais fatores de risco, e neles a doença é mais frequente e intensa”, mas reforça que a prevenção é indispensável a todos os grupos.

“Tratar colesterol, pressão alta e diabetes e diagnosticar precocemente as inflamações no coração, por exemplo, são formas de evitar que no futuro a insuficiência cardíaca apareça. É preciso incrementar esses cuidados, porque essa doença mata mais do que o câncer”, alerta.

Transplantes
O acompanhamento constante da saúde é outro fator preponderante para frear as mortes, já que diagnosticar precocemente a doença aumenta as chances de eficácia do tratamento.

“É uma doença que se arrasta por muitos anos, às vezes com poucos sintomas, e se não é diagnosticada precocemente, avança. Tanto o diagnóstico como o tratamento são clínicos. Se o tratamento medicamentoso não resolver, vem o intervencionista, com possíveis cirurgias. Mas, em muitas situações, chega a um estágio em que somente o transplante resolve.”

A última e mais complexa foi a solução encontrada por quase 260 pacientes no Ceará, em dez anos. De 2009 a 2018, 259 pacientes receberam um novo órgão no Estado, período em que houve um crescimento de 24% nos procedimentos.

Fonte: G1 CE - https://g1.globo.com/ce/ceara/noticia/2019/07/09/aposentado-se-muda-para-o-ceara-com-a-familia-em-busca-de-transplante-de-coracao.ghtml

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