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Com equipes incompletas, postos de Fortaleza carecem de 156 médicos para garantir atendimento adequado

Prefeitura tem estruturando a contratação de 140 novos profissionais, por meio do programa Médico da Família.

Prefeitura tem estruturando a contratação de 140 novos profissionais, por meio do programa Médico da Família.

A carência de médicos é um problema crônico nas áreas vulneráveis de Fortaleza. Atualmente, parte dos 113 postos de saúde da capital cearense segue com a lacuna de profissionais e os efeitos são sentidos, sobretudo, por moradores das Regionais 3, 5 e 6. Para garantir atendimento médico adequado nas unidades básicas, segundo a Secretaria Municipal da Saúde (SMS), a capital cearense deveria ter 467 médicos. Hoje, com 311 profissionais, a cidade carece de outros 156 médicos.

Na equação para garantir a quantidade suficiente de médico nas equipes da Estratégia de Saúde da Família, cujo atendimento está atrelado diretamente às demandas comunitárias, Fortaleza segue com 147 profissionais vinculados ao Programa Mais Médicos, do Governo Federal. Mas, como em 2019 a renovação do contratos desses profissionais não foi autorizada pelo Ministério da Saúde, a capital continua sentindo os efeitos dessa baixa de profissionais.

O coordenador das Redes de Atenção Primária e Psicossocial da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), Rui de Gouveia, explica que os profissionais do Mais Médicos deixarão as unidades de forma gradual nos próximos anos. O último médico vinculado ao programa tem contrato firmado até maio de 2022.

“Nesse momento eles não abriram edital para profissionais que estão atuando nas capitais e nem para a renovação. Tem profissionais, por exemplo, que vão sair agora em 2019 que poderiam renovar por mais três anos. Só que o Governo Federal simplesmente vetou essa possibilidade. Então, hoje, em relação ao Programa Mais Médicos, nós ainda temos 147 profissionais distribuídos em vários postos de saúde, em diversas regionais”, informa o coordenador.

Queixas nos postos de saúde
No posto de saúde Maria de Lourdes Jereissati, no bairro Jardim das Oliveiras, conforme uma agente de saúde que pediu para não ter a identidade revelada, três equipes estão sem médico, há três anos. A doméstica Gilda Vieira, que é acompanhada na unidade, relata que em novembro de 2018 ela e o esposo fizeram exames, mas até agora não conseguiram se consultar com um médico e mostrar os resultados por conta da ausência de profissionais.

No posto Graciliano Muniz, no bairro Conjunto Esperança, os impactos são semelhantes. “Ontem mesmo eu cheguei antes do meio dia e saí quase 16h e não tinha nem a enfermeira do acolhimento pra atender a gente. A moça do Same (Serviço de Marcação de Consultas e Exames) disse que não tinha médico. Não tem previsão de quando vão marcar médico e eu estava sem a minha receita de saúde mental e eu não posso ficar sem a minha medicação”, contou a cabeleireira Ana Célia Carneiro. Na unidade, segundo uma funcionária que também pediu para não ser identificada, há seis equipes e falta médico em uma delas.

Rui de Gouveia destaca que a lacuna histórica de médicos tem a ver com a distribuição demográfica das unidades. “A grande maioria dos profissionais (médicos) mora no Cocó, Aldeota, Meireles, Bairro de Fátima e áreas mais distantes da cidade acabam descobertas”, acrescenta o representante da SMS.

Para o presidente do Sindicato dos Médicos no Ceará, Edmar Fernandes, além do prejuízo nos atendimentos, a ausência de profissionais compromete o vínculo entre os usuários e as equipes de saúde. “A atenção primária depende de todos os profissionais, de médicos, enfermeiros, dentistas, auxiliares de enfermagem, e os agentes comunitários que tem o contato direto dentro da casa dos pacientes. O médico é um elo. Sem esse elo não funciona adequadamente. O médico é quem dá o diagnóstico, avalia se o tratamento está dando certo, algumas vezes, tem que trocar a medicação, e isto é parte da competência dele”.

Programa contratará 140 novos médicos
A Prefeitura de Fortaleza, junto ao Governo do Ceará, tem estruturando a contração de 140 novos profissionais, por meio do programa Médico da Família. A alocação desses médicos, além das Regionais 3, 5 e 6, também contemplará postos da Regional 2, em bairros como Vicente Pinzón, Serviluz e Cais do Porto, e da Regional 1, no Vila Velha, na Barra do Ceará e no Cristo Redentor.

A previsão era de que os novos médicos iniciassem o trabalho no dia 1º de julho, mas um atraso na seleção alterou a data para 1º de agosto. Os profissionais integrarão o Curso de Pós-Graduação em Atenção Primária à Saúde (APS) ofertado pela Escola de Saúde Pública do Ceará Paulo Marcelo Martins Rodrigues. Os aprovados na seleção trabalharão durante um ano, com uma bolsa mensal de R$ 11.865. Essas contratações solucionarão o problema parcialmente, pois os médicos vinculados ao Mais Médicos devem deixar as unidades. A prefeitura, explica Rui, deverá achar outras estratégias para sanar essa demanda.

Em nota, o Ministério da Saúde informou, sem especificar características ou prazos, que “a pasta trabalha na elaboração de um novo programa para ampliar a assistência na Atenção Primária”. Até lá, parte da população continuará à espera de atendimento adequado.

Fonte: Por Matheus Facundo e Thatiany Nascimento, G1 CE - https://g1.globo.com/ce/ceara/noticia/2019/06/24/com-equipes-incompletas-postos-de-fortaleza-carecem-de-156-medicos-para-garantir-atendimento-adequado.ghtml

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