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Cerca de 40 refugiados venezuelanos vivem em situação precária em Fortaleza

No grupo há mulheres grávidas, crianças e adolescentes. Eles estão pedindo dinheiro em semáforos para pagar aluguel dos quartos onde estão vivendo.

Por Por Cinthia Freitas, Germano Ribeiro

22/05/2019 às 13h32

Refugiado pede esmola em Fortaleza

Cerca de 40 refugiados venezuelanos estão vivendo em condições de vulnerabilidade extrema no Centro de Fortaleza. No grupo há mulheres grávidas, crianças e adolescentes. Segundo a Comissão de Direitos Humanos da OAB-CE, que acompanha o caso, eles estão necessitando de comida, colchões, roupas e outros itens básicos. Uma reunião na manhã desta quarta-feira (22) com a vice-governadora do Ceará, Izolda Cela, discute a situação dos imigrantes.

Eles estão vivendo em quartos alugados no Centro desde que chegaram à capital, de ônibus, no último dia 16. Segundo a presidente da comissão da OAB, Virgínia Porto, os imóveis estão “em péssimas condições” e a situação é preocupante.

“Eles estão divididos em seis quartos de dois imóveis antigos com a cobertura danificada. Não têm roupas, nem colchões e nem lençóis”, relata.

Venezuelanos encontram-se em situação precária

Para pagar o aluguel dos quartos, que custam de R$ 15 a R$ 20, os adolescentes do grupo pedem ajuda nos cruzamentos de trânsito da cidade.

Um dos refugiados, homem de 27 anos, conta que, para sobreviver, compra um prato de comida para dividir com a família — mulher e três filhos. O quarto filho morreu ainda criança na Venezuela. Esta família está no Brasil há dois anos, um dos filhos nasceu em Manaus (AM). O imigrante diz que “aqui está ruim, mas na Venezuela acabou remédio, acabou tudo”.

A presidente da comissão afirma que foram levados mantimentos para eles, mas o arrecadado não foi suficiente, diante da precariedade em que se encontram.

Crise humanitária
Os imigrantes são de uma comunidade indígena que vinha sofrendo com a crise humanitária na Venezuela. Ao deixar o país de origem, eles adquiriram a condição de refugiados e conseguiram chegar a Belém (PA), onde receberam uma promessa de trabalho, mas não permaneceram porque as condições eram análogas à escravidão.

A comunicação com o grupo também é difícil, segundo Porto, já que a maioria fala apenas um dialeto indígena. “São muitas crianças doentes, as mulheres estão quase todas grávidas e não são vacinadas, porque são indígenas que vieram dessa comunidade agrícola”, acrescentou a presidente da comissão.

Representantes da Pastoral do Imigrante também participam do encontro com a vice-governadora nesta quarta.

Fonte: Por Cinthia Freitas, Germano Ribeiro - https://g1.globo.com/ce/ceara/noticia/2019/05/22/cerca-de-40-refugiados-venezuelanos-vivem-em-situacao-precaria-em-fortaleza-denuncia-oab.ghtml

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